Trabalhador deixando o escritório com uma caixa de pertences após a demissão, momento de pedir o seguro-desemprego

Como Funciona o Seguro-Desemprego: 3 a 5 Parcelas de Até R$ 2.518

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Lucas Pinheiro
Lucas Pinheiro é cofundador do ZapGastos, o assistente financeiro que funciona pelo WhatsApp e se conecta aos bancos via Open Finance. Engenheiro de formação, escreve sobre organização financeira a partir do que aprendeu construindo o produto e de fontes oficiais, como o Banco Central.
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Como funciona o seguro-desemprego? É um benefício temporário pago a quem foi demitido sem justa causa, em 3 a 5 parcelas mensais que vão de R$ 1.621,00 a R$ 2.518,65 em 2026. O número de parcelas depende de quantos meses você trabalhou e de quantas vezes já pediu.

O que quase ninguém faz antes de pedir é a conta do tamanho do buraco. Quem ganhava R$ 3.000 passa a receber R$ 2.166,66, e quem ganhava R$ 5.000 recebe menos da metade.

Abaixo estão as regras da Lei nº 7.998/1990, a tabela de valores de 2026 e um jeito de planejar os meses em que o salário vira parcela.

Como Funciona o Seguro-Desemprego na Prática

O seguro-desemprego é uma renda provisória que substitui parte do salário enquanto você procura outro emprego. Ele é pago pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador, o FAT, e liberado pela Caixa.

Tem direito quem trabalhava com carteira assinada e foi dispensado sem justa causa. Também entra quem saiu por rescisão indireta, quando a falta grave foi do empregador.

A lei ainda exige três condições. Você não pode estar recebendo aposentadoria ou outro benefício previdenciário contínuo, não pode ter renda própria suficiente para se manter e precisa cumprir um tempo mínimo de trabalho.

Esse tempo mínimo muda conforme o número do pedido, segundo o serviço oficial do gov.br:

PedidoTempo mínimo de trabalhoJanela considerada
1ª vez12 mesesÚltimos 18 meses
2ª vez9 mesesÚltimos 12 meses
3ª vez em diante6 mesesOs 6 meses imediatamente anteriores
Fonte: Lei nº 7.998/1990, art. 3º, com a redação da Lei nº 13.134/2015.

Fração de 15 dias ou mais de trabalho conta como mês inteiro. Entre um benefício e outro, a lei pede um intervalo de 16 meses, chamado de período aquisitivo.

Acordo e pedido de demissão ficam de fora

Quem pede demissão não tem direito ao benefício. Quem sai por acordo com a empresa também não: o artigo 484-A da CLT diz que essa modalidade não autoriza a entrada no programa, mesmo liberando parte do FGTS.

O ZapGastos é um assistente financeiro no WhatsApp que registra seus gastos por mensagem e conecta suas contas bancárias para mostrar, em tempo real, para onde o dinheiro está indo. Numa fase de renda menor, ele serve para uma pergunta só: quanto do mês ainda cabe na parcela que vai cair.

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O salário virou parcela. E os gastos? mande cada gasto no WhatsApp e veja na hora quanto ainda sobra até a próxima parcela cair.

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ZapGastos no WhatsApp mostrando quanto sobra do mês com a parcela do seguro-desemprego

As Dúvidas Que Aparecem Logo Depois da Demissão

A maior parte das dúvidas sobre o seguro-desemprego é sobre prazo, tipo de saída e o que acontece se surgir um trabalho no meio do caminho. Abaixo estão as perguntas como as pessoas costumam escrever.

quanto tempo de carteira assinada preciso pra receber?

Na primeira vez, 12 meses nos últimos 18. Não precisa ser tudo no mesmo emprego: vínculos diferentes somam, desde que estejam registrados.

fiz acordo com a empresa, tenho direito?

Não. O acordo do artigo 484-A da CLT libera 80% do saldo do FGTS e metade da multa, mas exclui o seguro-desemprego de forma expressa.

tenho quanto tempo pra dar entrada?

Do 7º ao 120º dia depois da demissão. O prazo é fixado pelo Codefat, o conselho que administra o FAT. Passou dos 120 dias, o direito daquele desligamento se perde.

arrumei um bico, perco o seguro?

Emprego com carteira suspende o benefício na hora. Trabalho informal não aparece no sistema, mas o requisito de não ter renda própria continua valendo, e informação falsa leva ao cancelamento e à devolução do que foi pago.

tenho MEI aberto, posso receber?

O CNPJ ativo costuma travar o pedido, porque o sistema presume que ele gera renda. Dá para recorrer mostrando que a empresa não fatura o suficiente para o seu sustento.

seguro-desemprego cai no sábado?

O crédito segue o calendário da Caixa, que libera as parcelas em dias úteis. Se a data prevista cair num fim de semana, o dinheiro costuma aparecer no dia útil seguinte.

Quantas Parcelas Você Recebe em Cada Pedido

Você recebe de 3 a 5 parcelas, conforme os meses trabalhados nos 36 meses anteriores à demissão. A regra está no artigo 4º da Lei nº 7.998/1990.

Meses trabalhados1º pedido2º pedido3º pedido em diante
6 a 8sem direitosem direito3 parcelas
9 a 11sem direito3 parcelas3 parcelas
12 a 234 parcelas4 parcelas4 parcelas
24 ou mais5 parcelas5 parcelas5 parcelas
Fonte: Lei nº 7.998/1990, art. 4º.

O empregado doméstico segue outra regra. Pela Lei Complementar nº 150/2015, ele recebe até 3 parcelas de um salário mínimo, desde que tenha trabalhado 15 meses nos últimos 24.

Pessoa no notebook preenchendo o pedido do seguro-desemprego pela internet
O pedido é feito pela internet, sem ir a uma agência. Foto: Unsplash

Como Calcular o Valor da Sua Parcela

O valor sai da média dos seus três últimos salários antes da demissão, aplicada a uma tabela de três faixas. A tabela é reajustada todo janeiro pelo INPC, que em 2025 fechou em 3,90%.

Salário médioComo calcular a parcela
Até R$ 2.222,17Multiplique por 0,8
De R$ 2.222,18 a R$ 3.703,99R$ 1.777,74 mais metade do que passar de R$ 2.222,17
Acima de R$ 3.703,99Valor fixo de R$ 2.518,65
Tabela em vigor desde 11 de janeiro de 2026, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Nenhuma parcela fica abaixo do salário mínimo de R$ 1.621,00.

O piso vem do Decreto nº 12.797/2025, que fixou o salário mínimo de 2026. O reajuste pelo INPC é o mesmo índice explicado no guia sobre o que é inflação e a diferença entre IPCA e INPC.

Veja o cálculo em três salários diferentes:

Salário médioParcelaQuanto a renda cai
R$ 2.000,00R$ 1.621,00 (piso)19%
R$ 3.000,00R$ 2.166,6628%
R$ 5.000,00R$ 2.518,65 (teto)50%
Cálculo pela tabela de 2026. Quem ganha R$ 2.000 cairia para R$ 1.600, mas o piso sobe a parcela para o salário mínimo.

A conta que ninguém faz antes de pedir

Com salário de R$ 3.000 e direito a 5 parcelas, a renda cai R$ 833,34 por mês. Em cinco meses, são R$ 4.166,70 a menos entrando na conta. Esse é o tamanho do corte que o orçamento precisa absorver.

Para testar o seu caso com outros valores e prazos, a calculadora financeira do ZapGastos ajuda a ver quanto a diferença pesa ao longo dos meses.

Mão usando calculadora para fazer o cálculo do valor da parcela do seguro-desemprego
A média dos três últimos salários define em qual faixa você cai. Foto: Unsplash

Como Pedir o Seguro-Desemprego em 4 Passos

O pedido é feito pela internet, com o requerimento que a empresa entrega na demissão e o seu CPF. Não é preciso ir a uma agência.

  1. Guarde o requerimento. O empregador precisa entregar o documento do seguro-desemprego junto com a rescisão.
  2. Espere o 7º dia. O pedido só abre uma semana depois da demissão e fecha no 120º dia.
  3. Escolha o canal. Dá para pedir pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital, pelo portal gov.br ou pelo telefone 158.
  4. Acompanhe a liberação. O gov.br estima entre 31 e 60 dias corridos para o processamento, e as parcelas seguintes caem a cada 30 dias.

O benefício é suspenso se você for contratado de novo com carteira ou passar a receber um benefício previdenciário. Ele é cancelado se você recusar um emprego compatível com a sua qualificação e o seu salário anterior, ou se houver fraude.

Detector de gastos desnecessários

Três assinaturas de R$ 40 somem R$ 600 do seu seguro em 5 parcelas, é quase um terço de uma parcela de R$ 2.166. O detector aponta o que dá para pausar enquanto a renda está menor.

Ver planos →
Detector de gastos desnecessários do ZapGastos apontando assinaturas durante o seguro-desemprego

Antes da primeira parcela vem a rescisão. Se a empresa pagou o aviso sem você trabalhar, vale entender o que é aviso prévio e quantos dias ele vale pelo seu tempo de casa, porque esse dinheiro cai no mesmo mês e muda a conta do orçamento.

O FGTS e o Seguro Não São o Mesmo Dinheiro

O seguro-desemprego vem do FAT, e o FGTS é uma poupança sua que a demissão libera. Os dois chegam na mesma época, o que leva muita gente a tratar a soma como se fosse renda.

Na dispensa sem justa causa, você saca o saldo do FGTS e recebe a multa de 40% paga pela empresa. A exceção é quem aderiu ao saque-aniversário: essa pessoa recebe a multa, mas o saldo continua preso e sai nos saques anuais.

Separar os dois ajuda. A parcela paga o mês; o FGTS é a reserva que segura o período depois que as parcelas acabarem, caso o novo emprego demore.

O mesmo raciocínio vale para outros valores que caem uma vez por ano, como o décimo terceiro proporcional da rescisão e o abono salarial do PIS, que você continua recebendo se cumprir os requisitos do ano-base.

Como Fazer a Parcela Durar Até o Próximo Emprego

O jeito de a parcela durar é montar o orçamento pelo valor novo no primeiro mês, e não no terceiro. Quem espera a conta apertar costuma gastar o FGTS cobrindo a diferença.

Comece listando os gastos fixos e comparando com a parcela. Se o fixo passa do valor que vai cair, o corte precisa vir antes de qualquer gasto variável, como explica o passo a passo de como fazer um orçamento que você não abandona.

Depois projete os meses seguintes. A previsão de gastos mostra se o mês cabe na renda que vem, e é essa pergunta que importa enquanto a renda é o seguro.

Se o novo emprego for em outro banco, lembre que a portabilidade de salário leva o dinheiro para a conta que você já usa, sem tarifa.

Letras de madeira formando a palavra jobs, sobre a volta ao mercado de trabalho durante o seguro-desemprego
A carteira assinada de novo suspende as parcelas que faltam. Foto: Unsplash

Acompanhar esses meses gasto a gasto é o que evita a surpresa no fim da última parcela. Os planos do ZapGastos começam em R$ 9,90 por mês, e você registra tudo pelo WhatsApp.

Resposta na hora, no WhatsApp

Quanto ainda cabe até a próxima parcela? pergunte no WhatsApp e receba o total gasto no mês, somando todas as contas conectadas.

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ZapGastos respondendo no WhatsApp quanto sobra do mês durante o seguro-desemprego

Perguntas Frequentes Sobre o Seguro-Desemprego

Como funciona o seguro-desemprego?

O seguro-desemprego paga de 3 a 5 parcelas mensais a quem foi demitido sem justa causa e cumpre o tempo mínimo de trabalho. Em 2026, cada parcela vai de R$ 1.621,00 a R$ 2.518,65, conforme a média dos três últimos salários.

Qual é o valor máximo do seguro-desemprego em 2026?

O teto é de R$ 2.518,65 por parcela, pago a quem tinha salário médio acima de R$ 3.703,99. A tabela foi reajustada em janeiro de 2026 pelo INPC de 3,90%.

Quem pede demissão recebe seguro-desemprego?

Não. O benefício é só para demissão sem justa causa ou rescisão indireta. Pedido de demissão e acordo entre empregado e empresa não dão direito.

Qual o prazo para pedir o seguro-desemprego?

O pedido pode ser feito do 7º ao 120º dia depois da demissão, pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital, pelo portal gov.br ou pelo telefone 158.

Posso receber o seguro-desemprego e o FGTS ao mesmo tempo?

Sim. São benefícios diferentes: o seguro vem do FAT e o FGTS é um saldo seu. Quem aderiu ao saque-aniversário recebe a multa de 40%, mas não o saldo do FGTS.

A Parcela Tem Data Para Acabar

O seguro-desemprego compra tempo, e tempo contado em parcelas. Quem sabe desde o primeiro mês quanto vai cair e quanto sai chega à última parcela com o FGTS ainda inteiro.

Fontes Consultadas

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